São Paulo recebe a Mostra Rios e Ruas com caminhada pelo Riacho da Coruja

Webrun, 29/05/2014

Mostra alertará para a importância da revitalização dos rios por meio da arte e contará com presença de ultramaratonista

Acontecerá no próximo dia 31 de maio, às 10h30, na Praça Victor Civita (São Paulo), uma intervenção que faz parte da agenda do Planeta no Parque 2014.

Divulgação do Planeta no Parque na Linha Amarela do Metrô. Foto: Divulgação.Divulgação do Planeta no Parque na Linha Amarela do Metrô. Foto: Divulgação.

Será uma expedição com 100 pessoas, que sairá da Vila Madalena para caminhar o curso do Riacho das Corujas, que nasce na rua Heitor Penteado, o ponto de partida. A caminhada continuará em direção à Zona Sul da cidade, passando por pontos como a Praça das Corujas, onde um trecho do rio é ao ar livre e usado, inclusive, para regar a horta comunitária da região. O trajeto terminará no Rio Pinheiros, a uma quadra da Praça Victor Civita, onde o Corujas está canalizado, enterrado sob o canteiro central da Avenida Frederico Hermann Jr.

Também participará desta programação o ultramaratonista Carlos Dias, que correrá 30 quilômetros até o local da mostra, a partir do Jardim Botânico, onde está a nascente do rio Pirarungaua.

Idealizada por Charles Groisman e com curadoria de Marcello Dantas, a mostra faz parte do projeto homônimo, que desde 2010 identifica as principais bacias hidrográficas de São Paulo, soterradas ou não pelo crescimento urbano. “Nosso objetivo é ajudar na redescoberta de cada rio e riacho da capital paulista, conscientizando sobre sua importância e existência, por meio da arte, e reconectando o cidadão urbano à natureza”, explica Charles.

Para os visitantes da mostra Rios e Ruas, o final de semana na Praça Victor Civita reserva ainda diversas atividades, desde aulas de ioga e pilates até show com os cientistas do Mad Science (empresa canadense especializada em entretenimento infantil). O grupo Pia Fraus também participará com espetáculos de música e dança.

Programação Planeta no Parque 2014

Praça Victor Civita

Sábado, 31 de maio

8h – Ioga para iniciantes

9h – Ioga

10h – Pilates

11h às 13h – Expedição Rios e Ruas

14h – show “O que você sabe sobre H2O?”, do Mad Science

15h – show “Bichos do Brasil”, do grupo Pia Fraus

Domingo, 1º de junho

8h – Ioga para iniciantes

9h – Ioga

10h – Pilates

11h às 13h – Oficina Rios e Ruas

14h – Show “O que você sabe sobre H2O?”, do Mad Science

15h – Show “Gigantes de Ar”, do grupo Pia Fraus

Parque Villa Lobos

Sábado, 31 de maio

11h30 – Pocket show “Gigantes de Ar”, do grupo Pia Fraus

15h – Pocket show “Gigantes de Ar”, do grupo Pia Fraus

Domingo, 1º de junho

11h30 – Pocket show “Bichos do Brasil”, do grupo Pia Fraus

15h – Pocket show “Bichos do Brasil”, do grupo Pia Fraus

Expedição Rios e Ruas

Saída: Rua Werner Sack, 8 (esquina com a Heitor Penteado)

Chegada: Praça Victor Civita

Inscrições e mais informações: www.mostrarioseruas.com.br

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Colheita da cidadania

1 Papo Reto, 14/05/2014, por Rosenildo Ferreira

Áreas urbanas abandonadas, praças e até pequenos espaços em calçadas podem servir para criação de hortas, onde brotam alimentos e também cidadania. Essa é a dica de Claudia Visoni

Dizem que os homens, e também as mulheres, são o resultado de suas circunstâncias. A paulistana Claudia Visoni, 48 anos, contudo, criou suas próprias circunstâncias ao dar uma guinada na carreira e em seu estilo de vida. Dona de uma trajetória consolidada no jornalismo, ela se reinventou em 2008 ao decidir adotar uma alimentação mais saudável e entender melhor o que eram os tais produtos orgânicos. Em 2011, Claudia ajudou a fundar o grupo Hortelões Urbanos, no Facebook, que reúne hoje quase nove mil pessoas que valorizam este tipo de produtos e que também gostam de pôr a mão na terra. Literalmente.

Hortelão é aquele que cuida da horta e uma delas, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, se tornou referência. Não apenas no bairro, como também na cidade e no Brasil. A múltiplas reportagens em jornais, revistas e emissoras de televisão feitas sobre o projeto deixam isso bastante claro.

A iniciativa também inclui uma horta na avenida Paulista, um dos mais famosos cartões-postais da cidade, outra no bairro da Pompéia, também na zona oeste, e a terceira na Vila Madalena.

Em entrevista a 1 Papo Reto, Claudia fala dessa trajetória de agricultura urbana e conta os benefícios de investir tempo e recursos nesse tipo de projeto. Afinal, já pensou se os espaços degradados, os terrenos baldios e as praças abandonadas se convertessem em áreas de lazer e ainda rendessem alimentos saudáveis? Nada mau, não é?

Quais foram os principais desafios, digamos, práticos, para colocar de pé esta horta comunitária?

Claudia Visoni na Horta das Corujas, na Vila Madalena (SP)

O processo foi bastante participativo e conseguimos que a subprefeitura (de Pinheiros) aceitasse receber a Horta das Corujas na Praça das Corujas. Como ainda não existe legislação a esse respeito, trata-se de um acordo informal (A história da criação da horta está contada nesse vídeo). Atualmente o principal desafio é engajar voluntários. Não existe uma cultura de trabalho voluntário em prol do bem comum em nosso país. E uma horta demanda cuidados frequentes. Existem muitos voluntários eventuais, mas poucos que se dispõem a doar algumas horas todas as semanas para cultivar um canteiro.

O que é mais gratificante para você neste trabalho: a possibilidade de levar uma vida mais saudável ou a experiência de mexer na terra e ver o ciclo completo dos alimentos que você e sua família consomem?
A agricultura urbana mudou minha vida, minha relação com a natureza, com a cidade e com os alimentos. Sou apaixonada por essa atividade por todas as razões que você colocou e, mais especificamente, pela possibilidade de entrar em contato com outras pessoas. Em torno de cada horta surge uma comunidade protetora, um grupo que tem como vínculo o desejo de cuidar daquele espaço. Falo sobre essa experiência maravilhosa nesse post.

A Horta das Corujas é um marco nesta campanha. O terreno foi ocupado na marra pela comunidade ou foi doado? Os produtos cultivados ali podem ser consumidos livremente?
Qualquer pessoa pode colher hortaliças na Horta das Corujas. Só pedimos que tomem cuidado para não danificar as plantas e que levem pouca quantidade, assim outras pessoas também podem viver essa experiência. O terreno é da prefeitura, não foi doado e nem está sendo ocupado por um grupo. Apenas resolvemos cultivar alimentos ali, o que, embora ainda não seja regulamentado pelas leis do município, não é proibido. A horta fica aberta o tempo todo e qualquer pessoa pode frequentar. Existe uma cerca baixa com portão sem tranca apenas para os cachorros não entrarem.

O que você recomendaria a uma pessoa que pretende levar uma vida mais natural, se engajar em causas deste tipo,  começando o trabalho com uma hortinha no quintal de casa?

Horta na avenida Paulista (SP)

Acho que a reconexão com a terra é importantíssima não só para nos sensibilizarmos e começar a cuidar melhor dos recursos naturais como também para melhorar a saúde física e mental. Mas o caminho cada um escolhe, de acordo com seus desejos, possibilidades e preferências. Se houver vontade de começar uma horta em casa, seguem algumas dicas (aqui).

Você tem notícias do impacto desta mobilização em torno de hortas urbanas, aqui em São Paulo e em outras cidades?

A Horta das Corujas foi a primeira horta comunitária em praça de São Paulo. Inspirou o surgimento de várias outras. E o movimento tem atraído atenção da mídia.

 

Nota do Autor: para saber mais sobre este tipo de atividade, clique em um dos links abaixo e boa colheita!

Dois projetos de agricultura urbana

Alimentos fresquinhos

Plantando relacionamentos

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Expedição Rios e Ruas

Planeta Sustentável, 14/05/2014, por Suzana Camargo

Explorar e redescobrir nascentes e rios escondidos de nossos olhos é uma maneira que temos de nos apropriar novamente da natureza da nossa cidade. Este é um dos principais objetivos da iniciativa Rios e Ruas, que promove expedições por São Paulo para despertar a compreensão afetiva sobre a necessidade de trazermos à tona a água invisível sob nossos pés.

Durante esta edição do Planeta no Parque você está convidado a conhecer o Riacho das Corujas, um curso d’água muito especial, que divide os bairros de Vila Madalena e Vila Beatriz. O riacho possui uma nascente aberta e acessível, que jorra um fluxo de água contínuo, mesmo em épocas de seca. Parte de seu curso está a céu aberto, fluindo por toda a extensão de uma praça e por um pequeno parque linear.

Por ter sido incluído no Programa Córrego Limpo*, suas águas estão livres de grandes quantidades de esgoto por boa parte de sua extensão, sendo possível até observar peixinhos no leito.

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Ficou interessado? Então venha participar conosco da Expedição Rios e Ruas. Partiremos no sábado, 31/05, às 11h, da rua Werner Sack, 8, próximo da Estação Vila Madalena do Metrô, seguindo a rua Heitor Penteado, alinhada com o Espigão do Caaguaçu, divisor de águas das bacias dos Rios Pinheiros e Tietê. No alto do divisor, adentraremos no vale do Corujas, passando por uma de suas nascentes.

foto: Edu Geraldes

Depois de observar como as águas das nascentes são capturadas por bueiros e direcionadas a galerias soterradas, continuaremos a percorrer o curso do riacho seguindo indícios de sua presença. Ao atingirmos a Praça das Corujas, poderemos ver o riacho correndo a céu aberto, além de visitarmos uma horta comunitária que usa água da nascente para irrigar o cultivo.

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Em seguida chegaremos ao Parque Linear, onde poderemos ver onde o riacho passa a receber esgoto e volta novamente a adentrar uma galeria submersa. Tendo o relevo e outros indícios como referência, a expedição segue o curso do riacho até o ponto em que ele deságua no Rio Pinheiros, próximo à Praça Victor Civita, onde termina a expedição.

O percurso total será de 3,5 km e deve durar cerca de duas horas. Confira o itinerárioaquiMas atenção, as vagas são limitadas! Envie seu nome completo para psustentavel@abril.com.br e aguarde a confirmação da sua inscrição.

Contamos com a sua presença! Ao final da caminhada, aproveite a programação doPlaneta no Parque 2014, com oficinas, teatro e ioga.

*Programa Córrego Limpo

Leia também:
Rios e Ruas: por uma São Paulo mais humana
Charles Groisman e a reconexão do homem com a natureza

Fotos: Daia Mistieri/Expedição Rios e Ruas

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Bica da Horta das Corujas

por Andrea Valencio Pesek

Falta água em São Paulo? Pura ficção. Reativamos hoje a bica e é água que não acaba mais. Delícia ouvir o barulhinho da água caindo de novo.

Veja o vídeo clicando na imagem:

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Horta Comunitária City Lapa: Mutirão de plantio

Horta Comunitária City Lapa, 24/04/2014

Na última quinta feira fizemos um mutirinho, pois como sempre éramos poucos para chamar a reunião de mutirão. Mas tivemos uma visita especial, que chegou de trem com uma mudinha de amaranto nas mãos, sementes pra plantar e disposição para pegar na enxada. Claudia Visoni, que está à frente da Horta das Corujas e foi uma das criadoras do movimento Hortelões Urbanos, veio conhecer nossa horta que ainda está engatinhando e trazer sua experiência no assunto. Com ela, estávamos em cinco. Ana Campana, minha vizinha, Ana Laura e Marco Perin, que vieram da Pompeia,  e eu.

Claudia dando umas dicas 

 

Moradores pagam para carroceiros tirarem de suas casas mas não querem saber onde a tralha vai parar – às vezes a poucos metros de suas casas 
 O saco de entulho na calçada. Lixo chama lixo 
O caminhão parou, eba!
Para onde devemos ligar da próxima vez

Chegamos meio desanimadas, Ana e eu, pois na calçada havia não só um saco de entulho que tiramos da praça e que ali ficou mas também um pé de iuca que o vento tinha derrubado havia dias e uma pilha de restos de computador num ponto que parece querer virar viciado. No espaço da horta havia grande quantidade de restos de poda – carroceiros e alguns moradores gostam de despejar ali seus entulhos e restos de poda para deixar suas casas e jardins gramados bem limpinhos.  Nossa ideia era só plantar as mudinhas de citronela, manjericão, almeirão e couve sem ter que se preocupar com isto, mas demos muita sorte no final. Pois enquanto eu arrumava as comidas e o chá, Ana Campana viu passar um caminhão da prefeitura que faz a limpeza do resto da feira. Gritamos para que o motorista parasse. Ele parou, um gari desceu e disse que não era serviço dele e tal, mas que quebraria o galho (se bem que o galho mesmo da iuca ficou). Pediu uma caixinha, mas não tínhamos dinheiro ali e oferecemos em vez de dinheiro sagu que Ana tinha levado e bolo de fubá que fiz e ainda estava quentinho. Pronto, estava resolvido. Levaram os restos de computadores, de poda e até o saco de entulho. Só um galho ficou por esquecimento e tudo bem.

Uma comidinha e bebida, que ninguém é de ferro.  E serve para confraternizar
Os lindos ovos da Ana Laura, afinal estávamos às vésperas da Páscoa

 

Feitos com infusão de casca de jabuticaba 

Outra novidade do dia, além da visita da Claudia, foi que minha vizinha Ana conseguiu troncos numa outra praça – o jardineiro que estava cortando a ajudou a colocá-los na carroceria do carro. Ajeitamos como bancos e mesinha e usamos para colocar a comida – teve ate ovo de páscoa que Ana Perin trouxe (feito com ovo de galinha cozido, descascado, com uma folhinha de erva grudada por uma meia de seda e depois fervido em solução de casca de jabuticaba e especiarias),  e alguns para nos sentarmos já no anoitecer. Ficamos ali ainda algum tempo conversando e fazendo algumas plaquinhas para a horta.

Uma mulher que trabalha aqui  perto e sempre passa pela praça disse que está gostando muito e que vai ajudar no que for possível. Pediu uma mudinha de citronela e já levou. Disse que nos daria chuchu pra plantar. Para que ela soubesse onde poderia deixar, disse que morava numa casa com pés de capim santo na calçada. Ela disse que sabia onde era porque de vez em quando pega a erva para fazer chá.  Nesta semana ela passou aqui, como prometido, deixou chuchus para eu comer e para plantar e aproveitou para levar  uma mudinha de grumixama. Antes de seguir para o trabalho, me mostrou uma garrafinha de água que trazia na bolsa. Disse que tinha passado na hortinha e usado a água para regar um pezinho de limão, que outro colaborador anônimo plantou.

No tempo em que ficamos ali, muitas pessoas passavam, sorriam, comentavam, aprovavam. Outras pararam para tomar chá e comer bolo. Barroso, o carteiro, foi um deles. E também alguns vizinhos. Aliás, ter uma forma de bolo por perto enquanto se trabalha coletivamente tem a função de substituir uma possível caixinha e de confraternizar com a vizinhança e pedestres que simpatizam com a ideia da horta comunitária.  Com isto, as pessoas vão se aproximando e logo poderemos ter um verdadeiro mutirão. Esta é a esperança.

Cantinho do relaxamento feito com tocos. Hora de fazer plaquinhas 
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Organizações civis chamam a atenção para os rios da cidade

Perfis Paulistanos, 15/04/2014, por Karin Salomão

Apesar da crise de abastecimento, São Paulo está sobre 500 córregos escondidos

São Paulo vive uma crise de abastecimento de água. Segundo previsão do comitê anticrise, liderados pela Agência Nacional de Águas e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica, o volume útil do Sistema Cantareira irá se esgotar em julho. O manancial abastece 47% da Grande São Paulo e a região de Campinas.

Diante desse fato alarmante, é difícil acreditar que a cidade está sobre mais de 500 córregos, que percorrem 3.500km, segundo levantamento da organização Rios e Ruas. Durante o desenvolvimento urbano, os cursos d’água foram canalizados e aterrados. “A água é vista como um problema”, diz Andrea Pesk, integrante do coletivo Ocupe e Abrace, que revitalizou a Praça da Nascente. “Temos um grande recurso em rios, mas que está sendo desperdiçado.” Algumas organizações tentam mudar essa situação e trazer o assunto – e os rios – à tona.

Documentário sobre a urbanização de São Paulo e sua relação com os rios:

 

Rios e Ruas

Por mais de 18 anos, Luiz de Campos Jr, geógrafo, estudou a hidrografia da cidade. Acadêmico, publicava artigos sem ser ouvido. Foi quando ele conheceu José Bueno, arquiteto e urbanista, que o incentivou a levar o assunto para as ruas. Foi assim que surgiu o Rios e Ruas. A organização realiza passeios pelo curso dos rios, desenterra nascentes, conta a história da cidade através de seus cursos d’água. “Nosso trabalho é muito sexy”, diz Bueno. “Tiramos a primeira camada da cidade e olhamos para o que há abaixo.”

Campos afirma que não dá para andar 200 metros pela cidade sem cruzar um rio. No início, Bueno duvidou dessa informação e os dois saíram andando. Em um lugar mais úmido e silencioso, características próprias de nascente, escutaram um barulho de água debaixo da terra. Tomados de surpresa, batizaram o rio de Iquiririm, que significa água silenciosa em tupi. O nome oficial é Pirajussara Mirim e o rio, na verdade, não é silencioso. “A gente continua escutando essas águas. Elas têm desejo de correr, de aflorar, fluir, correr entre as pedras, de ter peixe”, diz Bueno.

Em março, no Dia da Água, fizeram uma ação nas nascentes deste rio, no bairro Butantã. Revitalizaram a nascente, plantaram árvores nativas, implantaram horta comunitária, entre outras atividades.

Ação do Rios e Ruas mostra todos os cursos d'água que passam pela cidade (Foto: Divulgação)

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Carnaval

Este ano, dois blocos de carnaval pularam pelos rios da cidade. O Bloco Fluvial do Peixe Seco caminhou pelo curso do rio Saracura, que passa pela Avenida Nove de Julho.  As pessoas desciam por cima da terra e o rio corria por baixo, visível em apenas alguns pontos.

Foram cantando “A rua é do povo que trafega/É do rio de quem navega/É do samba que passou”, samba escrito por Diogo Rios, integrante do bloco. O nome também tem raiz no tupi: Peixe seco é a tradução de Piratininga, o nome que os primeiros moradores da cidade deram ao rio Tamanduateí.

Pós carnaval, foi a vez de outro bloco cantar sobre os rios. “Ouviram da Pompéia /Dessas margens relutantes / que o povo quer de volta / esse rio como era antes” é parte da letra do samba criado pelo bloco Água Pretahttps://www.facebook.com/blocodoaguapreta. O rio homônimo começa na Praça Rio Campos, na Pompeia, e também é canalizado em todo o trajeto.

Anahí Santos, criadora do bloco, disse que notou a necessidade de tratar sobre o tema depois de uma enchente em seu bairro. “Vi as árvores lambidas e reviradas pelo rio. Foi uma sensação muito forte de ver o rio com uma clareza palpável.” Depois, examinou mapas históricos e recolheu histórias de moradores para determinar o trajeto original do rio. Para ela, passar por cima do rio conscientiza bastante. “É uma mistura: enquanto carnaval significa esquecer da vida, nosso bloco traz uma história”, conta.

Bloco Fluvial do Peixe Seco, no carnaval (Foto: Divulgação)

Praça da Nascente

Alguns trechos da praça Homero Silva estavam sempre úmidos. Os moradores do bairro da Pompeia, curiosos, investigaram o porquê. Descobriram mais de três nascentes e rebatizaram a praça, informalmente.

Com ajuda da subprefeitura, do Rios e Ruas e do geólogo Sasha Hart, os moradores criaram o coletivo Ocupe e Abrace. Começaram a desenterrar os rios e a liberar as nascentes. Uma delas é hoje usada para regar a horta comunitária da praça. A qualidade das águas é periodicamente testada pelo SOS Mata Atlântica – as nascentes têm água limpa e não contaminada.

Outra estava tampada por um tronco de eucalipto de 300kg, bem no olho da nascente. Depois de retirar a rolha, o rio corre calmamente e forma um lago bastante charmoso. “Trouxemos de volta a diversidade”, diz Andrea Pesk, integrante do coletivo Ocupe e Abrace. Ela conta que o lago tem peixes e que passarinhos e abelhas voltaram a frequentar a praça. O lago também tem a função de educar os frequentadores da praça. “A primeira coisa necessária para preservar as aguas é mostrar que elas existem”, diz Andrea.

Outra horta comunitária que faz uso de água de nascente é a Horta das Corujas, na Vila Madalena. São mais de oito nascentes na praça. O rio das Corujas corre descoberto durante um bom trecho, exceção entre os rios da cidade.

Horta comunitária da Praça da Nascente, regada com água de rios (Foto: Karin Salomão)

Praça da Nascente (Foto: Karin Salomão)

Lago da Praça da Nascente (Foto: Karin Salomão)

Lago da Praça da Nascente

Chácara da Fonte

Os caminhos dos rios contam muito sobre a história da cidade. Por exemplo, por aqui passava o Peabiru, malha de caminhos indígenas que interligavam a América do Sul. Na Vila Pirajussara, os viajantes paravam para se abastecerem de água, comida e descansarem ao lado da fonte. Depois dos indígenas, tropeiros e bandeirantes também usaram o caminho, segundo estudos, como os desenvolvidos por Júlio Abe Wakahara, arquiteto da Faculdade de Arquitetura da USP.

No entanto, a trilha não existe mais e a fonte, que antes era usada por qualquer pessoa cansada de viagem, está esquecida dentro de uma propriedade particular. “Cheguei a levar meus filhos para tomarem banho na água”, diz Cecília Pelegrini, moradora do bairro.

Hoje, o muro afasta as pessoas da área de 39 mil m² de mata atlântica e a história escorre para o esgoto. A água vinda dos riachos da chácara sai pelo portão da Rua da Fonte. Ali, na calçada, há mata, pedrinhas, girinos e até peixes. Mas apenas por 10 metros; depois disso, entra na boca de lobo. Debaixo da terra, encontra-se com o córrego Pirajussara Mirim. Segundo medições feitas por Cecília e Dinho Nascimento, seu marido, quase um litro de água por segundo é desperdiçado.

Músicos e artistas do bairro realizaram diversas festas e ocupações para transformar a chácara em parque municipal, para preservar a fonte e a história arqueológica do bairro. Entraram com um projeto na Secretaria do Verde em 2011.

Rua da Fonte, no Butantã, tem rio com peixes na beira da calçada. Na foto, XXXXXXXXX (Foto: Karin Salomão)

Desperdício de água limpa na Rua da Fonte

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PROTOTYPE: Festival de Sustentabilidade na Arte

PROTOTYPE, abril de 2014

Trocar, compartilhar, experimentar. Esta é a proposta do PROTOTYPE – Festival de Sustentabilidade na Arte, iniciativa do Goethe-Institut e do Ministério da Cultura, com patrocínio da Mercedes-Benz do Brasil, que procura, através de manifestações artísticas inusitadas e surpreendentes, incorporar a sustentabilidade no nosso cotidiano. O Festival,  acontece nos dias 12 e 13 de abril, sábado e domingo, das 11h às 18h na Praça Victor Civita (Rua Sumidouro, 580 – Pinheiros), em São Paulo.  

Atividades com coletivos e movimentos urbanos oGangorra, Rios e Ruas, Horta das corujas, Bike Party e A batata precisa de você também marcam o Festival. Cada coletivo irá propor atividades e intervenções que relacionam sustentabilidade e arte.

Expedição e quebra-cabeça hidrográfico

(Vai começar com um bate-papo na Horta)

A ligação entre os Hortelões Urbanos e Rios e Ruas é tão direta quanto a ligação entre horticultura e água. Não só no que se refere às relações entre rios, cultivos e ambiente urbano, mas também no que se refere à utilização do espaço público na cidade. Vamos realizar uma expedição entre a Horta das Corujas e a Praça Vitor Civita, seguindo o curso do Riacho das Corujas, que corre aberto junto a horta e por algumas centenas de metros além, para ser novamente soterrado sob ruas e construções até chegar a sua foz no Rio Pinheiros. Ao chegar na Praça Victor Civita vamos realizar um exercício lúdico, com um mapa quebra-cabeça gigante, onde poderemos visualizar a incrível rede hidrográfica invisível da nossa cidade.

A iniciativa Rios e Ruas promove o reconhecimento e a exploração das cidades redescobrindo os rios e riachos de São Paulo soterrados por ruas e construções. A iniciativa realiza expedições e oficinas contribuindo para despertar uma compreensão afetiva sobre o uso do espaço urbano e uma nova convivência com a natureza nas cidades. rioseruas.com

Rios e ruas
sábado 12 de abril de 2014
10h expedição da Horta das Corujas à Praça Victor Civita
13h jogo quebra-cabeça hidrográfica
Praça Victor Civita

AlgunsexemplarestemperosCorujasSemeando Hortas

Começamos com um encontro na Horta das Corujas, passando por uma expedição que leva até à Praça Victor Civita e conclui com uma oficina de semear.Encontro sábado 12 de abril às 10h na Horta das Corujas e expedição até à Praça Victor Civita.

Horta das Corujas é uma horta comunitária experimental numa praça pública no meio da cidade de São Paulo, na Vila Beatriz. A proposta é criar um espaço de convívio social e de educação ambiental: Os voluntários do bairro cultivam, aprendem e ensinam a cultivar. hortadascorujas.wordpress.com

Oficina Semeando Hortas
às 15h
deck canto
Praça Victor Civita 

Programação completa

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