Flor comestível: onde encontrar e como plantar a capuchinha

Folha de São Paulo, 21 de setembro de 2014, por Gabriela Sá Pessoa

Uma flor de cor laranja vibrante e de folhas arredondadas é abundante nesta época do ano. Comestível e de sabor picante, a capuchinha lembra o agrião -que é um dos parentes vegetais da espécie, junto com a rúcula.

A flor é das mais versáteis na cozinha (combina com saladas, carnes e queijos) e pode ser encontrada nas hortas comunitárias da cidade.

Por isso, ela foi escolhida pela nutricionista Neide Rigo, 53, da horta City Lapa, para temperar o nhoque que preparou para o almoço coletivo em comemoração aos dois anos da horta das Corujas, na Vila Beatriz, região oeste, no último sábado (13).

“[A planta] brota muito rápido, não precisa de muitos cuidados e logo já floresce. Praticamente toda horta urbana tem, é um jeito de proteger a terra porque ela resiste à seca e protege a umidade”, conta Neide. A flor ainda é rica em betacaroteno e em vitamina C, segundo a nutricionista.

Em casa, se você não tem espaço para um canteiro, a capuchinha pode ser plantada em um vaso. Para começar o cultivo, basta pegar uma muda ou um galho -os voluntários das hortas costumam oferecer a quem pede- e colocá-lo em um vaso com terra úmida.

Nos primeiros dias, é interessante deixá-lo em um local com sombra. Depois que a planta “pegar”, o único cuidado necessário é garantir a umidade do solo, impedindo que a terra fique seca.

HORTELÕES URBANOS

A plantação das Corujas é a primeira horta comunitária em praça paulistana e, desde que começou, tem inspirado ocupações semelhantes nas áreas verdes da cidade.

“É um experimento não só agrícola, mas principalmente sociológico. Não é voltado para o abastecimento, mas para a educação ambiental na cidade”, afirma a jornalista Claudia Visoni, 48, enquanto cuida de canteiros onde são colhidos morangos, tomates, abacaxis, mamões e temperos.

Além de produzir alimentos orgânicos e de criar novos grupos sociais, o trabalho dos hortelões acaba recuperando espaços antes degradados.

Ezyê Moleda/Folhapress
Quiche de queijo com capuchinha, receita da nutricionista Neide Rigo, 53
Quiche de queijo com capuchinha, receita da nutricionista Neide Rigo, 53

A horta da Saúde, no bairro homônimo, na zona sul, ocupa desde novembro de 2013 um terreno público que, abandonado e malcuidado, gerava reclamações entre os vizinhos pela falta de segurança.

Encontrar pés de milho e de couve brotando durante uma caminhada pelo bairro desperta a curiosidade dos transeuntes. “Ei, escuta, quem é que vai comer tudo isso aí?”, perguntava uma senhora de cabelos ruivos, carregando as sacolas das compras de domingo, ao passar pela calçada da horta da Saúde.

O engenheiro Sergio Shigeeda, 55, um dos voluntários, explica que, por estarem localizadas em espaços públicos, o uso e o cuidado da horta são coletivos. Mas mesmo quem nunca fez nada pela plantação pode colher uma verdura ou fruta que esteja por ali -com bom senso, para que a colheita possa beneficiar o maior número possível de pessoas. “A recomendação é colher pouco e com cuidado”, diz Shigeeda.

Quem quiser colaborar pode participar das discussões no grupo Hortelões Urbanos, que reúne no Facebook mais de 10 mil agricultores e aprendizes da capital para trocar experiências e marcar encontros. Outro canal é procurar diretamente os voluntários nos mutirões, que ocorrem nos finais de semana.

NASCEU NO ASFALTO

Além das flores de hortaliças (como as de alface, manjericão, pepino, abóbora e melão), as calçadas da cidade podem ser um prato cheio para quem quer se aventurar em cardápios floridos. Já pensou, em vez de assoprar um dente-de-leão, comê-lo? “Quando ele está maduro é ruim para comer, mas quando está desabrochando, antes de saírem as pétalas amarelas, é ótimo em saladas e massas”, diz Neide Rigo.

Até mesmo as pétalas amarelas e rosas do ipê podem virar almoço. “Pegue sempre da árvore, nunca do chão. Despreze os filetes que ficam dentro, pois neles pode haver algum bicho”, afirma o gestor ambiental Guilherme Reis, 24, do blog Matos de Comer (matosdecomer.blogspot.com).

Reis recomenda sempre lavar as flores para retirar a poluição (“que não se acumula muito, porque a flor dura em média uma semana e não acumula tanto pó”).

Também é importante tomar cuidado com a localização da planta a ser colhida. Evite pegá-las em áreas de risco como imediações de córregos poluídos, aterros sanitários e áreas industriais.

ONDE TEM CAPUCHINHA?

Horta das Corujas
Na praça Dolores Ibarruri, uma cerca delimita a horta das Corujas. Mas não se intimide: a porteira está sempre aberta e a restrição é apenas para animais não ficarem entre os pés de alface, morango e couve. Preste atenção nas placas que avisam as datas de mutirões de cultivo e orientam a circulação entre os canteiros, pois trata-se de uma área de nascentes.

Pça. Dolores Ibarruri, Vila Beatriz, região oeste. http://www.hortadascorujas.wordpress.com

Horta da Saúde
Mantida pelos moradores do bairro, na horta há canteiros com pés de milho, ervas medicinais e tomates. O canteiro de capuchinhas circunda toda a lateral da horta -entre as flores comestíveis, é possível encontrar ali também as
da espécie ora-pro-nobis.

Rua Paracatu, 66, Saúde, região sul.

Horta do Ciclista
No cruzamento da avenida Paulista com a Consolação, uma das esquinas mais agitadas de São Paulo, é possível comer
e cultivar morangos e temperos.

Praça do Ciclista, Cerqueira César, região oeste.

Horta City Lapa
Perto da estação de trem Domingos de Morais, a horta surgiu há quatro meses
e já tem ervas medicinais e pés de couve.

Esquina das ruas João Tibiriçá e Barão de Itaúna, Lapa, região oeste. http://www.hortacitylapa.blogspot.com.br

Hortão Casa Verde
O terreno particular, antes cheio de entulho, há cinco anos virou uma horta com pés de tomate, milho, cenoura e
até um pequeno lago. Para entrar, mande e-mail para botanica@folha.com.br.

R. Caetano Desco, 126, Casa Verde, região norte.

Horta do CCSP
As capuchinhas ainda estão tímidas, mas a horta tem flores de hortaliças, como manjericão, e dentes-de-leão.

Centro Cultural São Paulo. R. Vergueiro, 1.000, Paraíso, região sul. http://www.centrocultural.sp.gov.br

31ª Bienal de Arte de São Paulo
A instalação “Landversation”, da artista Otobong Nkanga, convidou alguns hortelões para plantar na Bienal -há um canteiro com ervas e temperos e outro com capuchinhas.

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Veja mapas das hortas urbanas de São Paulo

Revista Exame, 16/10/2014, por Suzana Camargo, do Planeta Sustentável

Horta: ideia é que comunidade se reaproprie da paisagem urbana através do plantio das hortas

Planta cresce em horta

Foto: David Goehring/Creative Commons/Flickr

São Paulo – Pouco a pouco fomos perdendo o contato com a terra, o cheiro do mato molhado e o real sabor de frutas e hortaliças.

Para resgatar esta conexão com a natureza e o hábito da alimentação saudável, a cada dia surgem mais e mais hortas urbanas espalhadas pelo país.

O mais interessante é que elas não estão no quintal da casas das pessoas, mas localizadas em espaços públicos da cidade – em praças, terrenos abandonados e até esquinas.

A ideia é que a comunidade se reaproprie da paisagem urbana através do plantio destas hortas.

Em plena Avenida Paulista, o centro financeiro e nervoso de São Paulo, há dois anos foi inaugurada a Horta Comunitária da Praça do Ciclista.

Ali, todo primeiro domingo de cada mês, moradores da região se encontram para mexer na terra e cuidar e regar cebolinha, pimenta, salsinha, couve, feijão e muito mais.

Iniciativa semelhante, a Horta das Corujas, situada numa praça do bairro da Vila Beatriz, na zona oeste da cidade, é um projeto experimental.

A intenção ali é criar um local para estimular o convívio social e servir de instrumento para a educação ambiental.

Alguns canteiros são usados por escolas da região, mas a horta que tem somente hortaliças, é aberta ao público e a ajuda de todos é sempre bem-vinda.

A ideia da construção da Horta das Corujas foi das jornalistas e pesquisadoras de agroecologia Claudia Visoni e Tatiana Achcar. Hoje elas coordenam o grupo Hortelões Urbanos, que promove e incentiva estas intervenções pela cidade.

Há diversas outras áreas de cultivo espalhadas pela capital paulista. Se você gosta de plantar e quer participar deste movimento, confira o site com o mapa das hortas urbanas de São Paulo.

O Movimento Urbano de Agroecologia de São Paulo (Muda SP) também disponibiliza um mapa com a localização de hortas, além de feiras e restaurantes com alimentos orgânicos.

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Festival dos sabores e roda de conversa sobre hortas

Outubro de 2014

Vamos comemorar o início da Semana Mundial da Alimentação degustando ervas e frutas em combinações incríveis criadas pela cozinheira Bia Goll e com uma roda de conversa sobre horta em casa e horta comunitária com Claudia Visoni.

festival sabores

Sábado, 11/10/2014
Das 10:00 às 12:00
Viveiro de Pinheiros
Avenida Arruda Botelho, 88

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Fotos da segunda comemoração dos 2 anos da Horta

6 de outubro de 2014

O segundo aniversário da Horta das Corujas foi comemorado no sábado, dia 4/10.

Recebemos um duo de cellos e uma dupla de contação de histórias.

Duo de cellos: Erica Beatriz Navarro e Rebeca Friedmann

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Contação de histórias com Lilia Nemes e Débora Sperl, da Cia. Pé do Ouvido

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Varal de fotos da Horta

Aniversario 2 anos

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JC Debate sobre micropolítica

 TV Cultura, 29/09/2014 

Formado por governo e partidos, o poder político tradicional, também chamado de macropolítica, muitas vezes não cumpre suas funções nem provoca mobilização da sociedade civil. Para debater a micropolítica, o programa recebe Carolina Tarrío, uma das fundadoras do movimento Boa Praça, e Caio Magri, diretor de Políticas Públicas do Instituto Ethos.
O debate é precedido por uma reportagem sobre a Horta das Corujas.

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No mês de setembro a Horta das Corujas completa 2 anos!

De presente de aniversario a horta vai receber muita chuva gente!

:-) Por isso adiamos a comemoração para o próximo final de semana – dia 4/10/14!
Breve mais informações!

23/09/14

As comemorações já começaram com a Oficina de Ruderais oferecida pela Neide Rigo no dia 13/09 – vejam aqui o registro e a receita do delicioso ‘spatzle de mato’.

A festa continua este final de semana, com atividades oferecidas por voluntários e simpatizantes da horta. Como a organização é coletiva, vamos atualizando a programação e os horários conforme ela for sendo definida.

(Em caso da mais que bem-vinda chuva, além de agradecermos a todas as forças do universo, vamos provavelmente mudar a data das celebrações e deixar as hortaliças festejando debaixo d’água. Avisaremos no devido tempo)

27/09 – Sábado
13h00 Pic Nic coletivo

15h00 Contação de história com a Lilia Nemes da Cia. Pé do Ouvido

17h00

- Música ao vivo, com Pedro Paulo Salles

-Varal de fotos da horta organizado por Sasha Hart

-Escultura de balões com a Fabíola Donadello

28/09 – Domingo
-Oficina de jogos de reciclagem com a Maíra Villas Bôas Estima

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….arte com fontes: Pedro P.Salles

Convide também pelo Facebook: Aniversário 2 anos – Horta das Corujas

Venham comemorar com a gente!

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Engenheiro ambiental estuda presença de metais pesados em hortas urbanas

Folha de São Paulo, 21/09/2014, por Marcos Dávila

Após terminar sua iniciação científica na Faculdade de Medicina da USP, o engenheiro ambiental Luís Fernando Amato-Lourenço, 32, conheceu a horta comunitária no campus da Doutor Arnaldo.

Depois de trabalhar como voluntário nos canteiros, decidiu fazer sua tese de doutorado sobre a concentração de metais provenientes de deposições atmosféricas em hortaliças cultivadas em São Paulo, com orientação dos professores Paulo Saldiva e Thais Mauad.

A ideia do estudo não é coibir a prática das hortas urbanas, mas criar parâmetros para o aprimoramento delas. O pesquisador acredita que a recente popularização desse tipo de cultura traz benefícios como o incentivo à alimentação saudável, o combate ao sedentarismo e a redução do estresse.

Thays Bittar/Folhapress
Luís Fernando, engenheiro ambiental que pesquisa incidência de metais pesados em hortas urbanas
Luís Fernando, engenheiro ambiental que pesquisa incidência de metais pesados em hortas urbanas

sãopaulo – Qual é o foco da sua pesquisa?
Luís Fernando Amato-Lourenço – Todo mundo sempre tem dúvidas sobre a influência do ambiente urbano nas hortaliças. É saudável? É seguro? A água e o solo podem ser manejados. O ar, não. Os materiais particulados depositam na superfície das hortaliças, e elas absorvem metais como cádmio e arsênio, liberados principalmente de veículos motorizados. Estamos analisando dez hortas na cidade em comparação com uma em Piracaia [88 km de SP], que tem o ar mais limpo.

Há metais pesados nas hortaliças?
Ter a gente sabe que tem. Um estudo feito em 2013 na Alemanha mostrou que existe uma relação com a proximidade das vias. Em regiões nas quais circulam mais caminhões há mais incidência de metais pesados por causa do diesel. Prédios e árvores podem servir de barreira.

Esse tipo de contaminação é pior do que o uso de agrotóxicos?
Existem defensivos agrícolas com metais na composição, mas estão dentro do limite permitido pela Anvisa. Queremos checar esse nível nas hortas urbanas. Em dezembro saem os primeiros resultados.

Você come o que é produzido na horta comunitária?
Sim, comemos normalmente o que é produzido. Apesar da nossa preocupação com os metais que possam estar absorvidos, acreditamos que a popularização da horticultura comunitária em centros urbanos gera benefícios.

Que benefícios são esses?
Redução da destinação de resíduos orgânicos a aterros sanitários, criação de refúgios para a microfauna, preservação da biodiversidade vegetal e esfriamento de zonas de calor geradas por áreas concretadas.

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