Hortas resistem na periferia e avançam sobre praças abandonadas de São Paulo

Rede Brasil Atual, 01/04/2013, por Tadeu Breda

São Paulo tem onze milhões de habitantes, cinco linhas de metrô, sete milhões de automóveis, rios poluídos, favelas, avenidas largas, muita fumaça e uma quantidade imensurável de concreto. É a mais rude definição de cidade que o Brasil conseguiu produzir. Mas muitos paulistanos continuam vivendo em contato com a terra. E outros tantos se sustentam com o que plantam e colhem nos espaços ainda não colonizados pelo asfalto.

Embora não pareça, falar em agricultura dentro da maior metrópole da América do Sul é cada vez menos um paradoxo. Por isso, a Rede Brasil Atual dá início hoje (1º) a uma série de cinco reportagens sobre o tema. De acordo com levantamento da prefeitura, há mais de mil pequenos produtores rurais dentro dos limites de São Paulo. A esmagadora maioria se concentra no distrito de Parelheiros, extremo da zona sul. “Lá tem sido historicamente o cinturão verde da cidade”, lembra Tiago Janela, diretor do Departamento municipal de Agricultura e Abastecimento. “É um lugar que continua guardando muitas características do campo.”

De fato, nem parecem cidade. As ruas são de terra e há árvores por todos os lados. O lugar é cortado por duas áreas de proteção ambiental e ladeada pelas represas Billings e Guarapiranga. Por ali, cultivar hortaliças e plantas ornamentais é coisa séria: a atividade alimenta famílias, abastece feiras nos bairros mais próximos, cria renda e empregos e evita que as reservas ecológicas deem lugar a condomínios de luxo. “Além de produzir alimentos, a agricultura é uma estratégia do poder público para conservar os mananciais que abastecem os reservatórios de água da cidade”, reconhece Janela.

lgumas partes da zona leste de São Paulo também praticam agricultura pra valer. Mas, como o concreto já avançou bastante por lá, o jeito para seguir plantando e colhendo foi utilizar terrenos onde não é permitido construir. Embaixo de linhas de transmissão elétrica ou encima de oleodutos, pequenos agricultores vivem com a venda de hortaliças à vizinhança, sobretudo no bairro de São Mateus. Assim como ocorre em Parelheiros, contam com apoio da prefeitura e de ONGs dedicadas à segurança alimentar e à agroecologia. Cumprem uma dupla função para a comunidade: fazem uso “nobre” de pedaços de terra que serviam como depósito de entulho ou ponto de tráfico; e produzem verduras e legumes fresquinhos para a clientela dos arredores. Parelheiros e São Mateus podem ser vistos como espaços de resistência agrícola em São Paulo

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