Plantando relacionamentos humanos

Revista Sustentabilidade, 24/04/2013, por Ludmila do Prado

Em uma ensolarada manhã de sábado, um grupo de pessoas trabalha a terra com a enxada e colhem temperos e legumes. Elas usam chapéus e botas, sobem e descem com caixas, sujam as botas na lama. Um típico cenário de um dia na rotina de trabalhadores no campo. Mas, não é. O vai e vem acontece na vila Madalena, bairro de classe média na zona oeste da cidade de São Paulo.

Estamos na horta das Corujas, uma horta comunitária que vem despertando nos paulistanos a vontade de ficar perto da terra, de plantar, regar, cuidar, ter paciência para ver crescer e para ver os frutos. E principalmente: viver, na prática, o sentido da palavra “comunidade”, há tempos deixada de lado nos centros urbanos.

“A horta é, sem dúvida, um ponto de encontro urbano, social e agregador. Você vê a vida passando naquele lugar, tira o relacionamento que acontece somente no Facebook e leva para o convívio pessoal”, explicou a designer e arquiteta Luciana Cury, frequentadora da horta. “Foi o melhor efeito colateral que poderia acontecer, sem nem ter sido planejado”.

Luciana faz parte do grupo virtual Hortelões Urbanos, grupo criado pela jornalista Cláudia Visoni, que hoje conta com mais de 2.800 membros e a partir do qual iniciou-se a articulação para realização da Horta das Corujas. A horta é uma das mais conhecidas, mas, além do Hortelões, outros grupos surgiram na Internet tratando do mesmo tema e outras hortas estão sendo criadas.

Fonte: Revista Sustentabilidade

Fonte: Revista Sustentabilidade

Naquele dia, quando visitei a horta para fazer a reportagem,  a conversa girava em torno de como criar um sistema para levar água da parte mais baixa para a parte mais elevada do terreno, que não é deles mas que eles usam.

O uso do espaço público como área de produção alimentar vem ganhando força nos últimos anos, por meio dos grupos criados nas redes, que ajudam a divulgar as iniciativas, somados à criação da frente parlamentar de agricultura orgânica na Assembleia Legislativa e propostas de leis na Câmara dos Vereadores. Juntos com mais de 20 organizações, estes políticos criaram uma plataforma para a agricultura urbana e orgânica e pressionam a prefeitura a incluir em suas metas a criação de uma horta comunitária em cada bairro da cidade.

Atualmente, na cidade de São Paulo, já existem, pelo menos, mais 4 projetos semelhantes e outros sendo articulados pela rede. Além de plantar alimentos, os grupos se reúnem para trocar sementes, mudas e experiências sobre plantio no ambiente urbano.

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