Uma horta para chamar de sua

Sou BH, 6/6/2013

Tomatinhos

E se os espaços públicos ociosos e terrenos abandonados de nossa cidade fossem usados para o cultivo de hortas comunitárias? E se qualquer pessoa, mesmo que nunca tivesse colocado as mãos na terra, pudesse plantar, regar, podar, cuidar dos canteiros de forma democrática? E se fosse permitido chegar, colher e levar para casa na hora hortaliças frescas, ervas e legumes, mesmo sem ter colaborado com o plantio?

Não, não se trata de nenhuma comunidade alternativa e sim de um movimento de agricultura urbana que, depois de se espalhar por metrópoles como Nova Iorque e Berlim, vem crescendo em capitais como Curitiba e São Paulo desde a metade do ano passado.

São grupos de pessoas como o dos Hortelões Urbanos, que colheu mais de 100 kg de chuchu em uma horta na Praça das Corujas, na Vila Beatriz, em São Paulo. O espaço, que ficou conhecido como Horta das Corujas, ocupa 800 metros quadrados e é isolado do conglomerado urbano por árvores. Antes de começar a plantar, os voluntários encomendaram análises do solo e da água, pediram autorização da prefeitura para ocupar o terreno e aos poucos foram experimentando os mais variados cultivos, como alface, couve, rabanete, pimentão, alho e pés de milho, feijão e mandioca.

O grupo é bastante heterogêneo e ninguém é especialista no assunto. Quem sabe um pouco mais compartilha o conhecimento com os outros. Durante a semana, quem mora ou trabalha por perto se reveza no cuidado com a horta. E nos fins de semana são organizados mutirões, onde, além de ajudar a cuidar das plantações, os participantes trocam sementes, mudas e experiências.

Na Praça do Ciclista, tradicional ponto de encontro de cicloativistas, em plena Avenida Paulista, foi criada a Horta do Ciclista, onde abóbora, alface, hortelã, manjericão e orégano já podem ser colhidos.

Além de criar espaços de convivência social e estreitar os laços comunitários, as hortas urbanas ajudam a formar comunidades solidárias, promovem o contato dos moradores da cidade com a natureza e ainda despertam a população para temas como a preservação ambiental, a sustentabilidade e a promoção de modelos mais justos de produção de alimentos.

Quer implantar uma horta coletiva na sua rua ou bairro? É só convidar os vizinhos, amigos e parentes e tomar alguns cuidados básicos:

• Pesquise as condições do solo através de análise laboratorial. Elementos tóxicos como lixo, resíduos de fábricas ou depósitos e esgoto proveniente de tubulações com vazamento podem contaminar o lençol freático e ser absorvidos pelas hortaliças.

• A água usada para a irrigação também deve ser tratada. Por isso é bom consultar a companhia de saneamento de sua cidade antes de começar a plantar.

• Os canteiros devem ser protegidos por uma cerca, mesmo que baixa, para evitar a circulação de animais.

• Ao comprar terra, composto orgânico e húmus, certifique-se de que a procedência é controlada. Assim você evita consumir produtos de aterros sanitários ou lixões, que podem estar contaminados por metais pesados, antibióticos, hormônios ou outras substâncias prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

• O mesmo cuidado vale para as sementes, que não devem ter sido tratadas com defensivos ou venenos.

• Nunca use venenos ou agrotóxicos para o manejo de pragas.

• Apesar de muitas hortas comunitárias se instalarem nas ruas sem nenhum tipo de acordo com o poder público, vale a pena consultar a prefeitura de sua cidade e deixar a porta aberta para o diálogo.

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