Horta comunitária aproveita o espaço público

Curti e recomendo, 24/09/2013, por Bárbara Barbosa

– Prova essa flor.
– Essa flor?
– É, come.

E assim eu fiz, provei minha primeira flor, a capuchinha, que, descobri naquela manhã, trata-se de um ingrediente gourmet – levemente picante no fim.

Quem me contou foi o argentino Claudio Lorenzo, um dos cerca de 300 voluntários da Horta das Corujas, na Vila Beatriz. Todas as quartas-feiras, exceto quando chove, ele vai até o local, na Praça das Corujas, para regar a plantação que existe há aproximadamente um ano.

Do meio da praça brotam pés de alface, hortelã, berinjelas, cenoura, tomate e outras hortaliças. Trata-se de um espaço comunitário, onde as pessoas podem entrar e colher, dentro do bom senso, alimentos fresquinhos – orgânicos, naturais, sem nenhum aditivo. “Trabalhamos com o solo vivo, é o solo que alimenta a planta, com microrganismos vivos, e traz para nós o alimento em sua forma natural ”, conta Lorenzo.

O projeto nasceu do interesse de um grupo de voluntários, moradores do bairro, de utilizar parte do espaço público para produzir alimentos. Lorenzo, que vive no Brasil há 20 anos, explica que a ideia é incentivar as pessoas a produzir hortas em suas casas, de forma natural, sem precisar comprar hortaliças e legumes no mercado. “Ao mesmo tempo esse projeto tem um valor econômico e também social, faz com que as pessoas venham para cá e interajam”, conta. “As pessoas se sentem muito sozinhas na cidade e uma hora isso faz mal. Elas vêm aqui e se interessam, é um elo entre as pessoas que querem uma cidade mais participativa e interativa”, acrescenta.

Na Horta das Corujas, a produção ocupa uma área de aproximadamente 800 metros da praça, que pode ser avistada de longe, pela presença dos espantalhos. Ali, tudo é muito bem organizado: plaquinhas diferenciam uma plantação da outra, voluntários chegam para cuidar da compostagem e, aos fins de semana, os moradores se organizam para fazer novos plantios.

Atualmente, a Horta das Corujas conseguiu mobilizar, em um grupo no Facebook, chamado Hortelões Urbanos, mais de 4 mil pessoas. “Queremos mesmo compartilhar a experiência de plantar em espaços públicos e espalhar a iniciativa por outros bairros”, diz Lorenzo.

Outros endereços

Há hortas comunitárias em outros bairros, como Pompeia, Vila Mariana e até na Avenida Paulista – a Praça do Ciclista, que fica no final da via, já ostenta suas primeiras hortaliças. “As plantas têm vida própria, uma proteção natural. A horta na Avenida Paulista é um exemplo disso. As pessoas param, olham, cuidam. Nos dias que tivemos protestos, por exemplo, ficamos preocupados, mas nada aconteceu à horta, as pessoas respeitaram”, lembra o voluntário.

Passo a Passo

Para criar uma horta comunitária em um espaço público é necessário, antes de tudo, pedir autorização à prefeitura local. Depois disso, um passo a passo deve ser seguido. É preciso verificar as condições do solo e se há água disponível para o plantio, entre outros trabalhos – no caso da Horta das Corujas, a água brota naturalmente do solo e cacimbas foram cavadas para ajudar na hora de regar. É preciso, ainda, organizar a comunidade para cuidar do plantio e manutenção da horta, garantindo a colheita de alimentos totalmente naturais.

No Brasil, existem outras cidades que já adotaram o conceito de Horta Coletiva, comum em outros países. Em São Paulo, a ideia começa a se espalhar e, para quem tem interesse em abraçar a causa, um blog da Horta das Corujas, com detalhes do projeto, regras de convivência, dicas e mais informações foi disponibilizado.

Assista ao vídeo e conheça um pouco mais da Horta das Corujas:

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