Natureza urbana: hortas urbanas

Instituto Aprenda Bio, 4/12/13

Olá a todos os leitores! Vocês já pensaram na possibilidade de cultivar seus próprios alimentos na cidade? Se ainda não pensaram, podem começar a pensar, pois isso é possível! E tem muito cidadão pensando, conversando e colocando a mão na massa na produção das chamadas Hortas Urbanas.

As hortas urbanas são essencialmente comunitárias, e começam a partir de um grupo de pessoas que tomam a iniciativa de reutilizar um espaço abandonado na malha urbana para o cultivo de vegetais (hortaliças, legumes, verduras e frutas). Tudo nas hortas urbanas é feito de maneira voluntária e coletiva, as mudas, sementes, adubo, terra e mão de obra fica por conta da comunidade envolvida, que unida transforma espaços urbanos abandonados em espaços culturais, comunitários e produtivos.

Essa prática de ocupação do espaço público não é recente, e vem sendo praticada há algumas décadas em diversas cidades pelo mundo.

Na terceira edição da revista Efêmero Concreto de fevereiro deste ano, a jornalista e cineasta Luiza Fagá, apresentou uma matéria muito interessante sobre a prática dos “jardins de guerrilha” (ouguerrilla gardening) na cidade de Berlim na Alemanha. Nessa matéria Fagá apresenta duas histórias, a de Osman Kalin, um turco de 89 anos, considerado percursor da prática de ocupação de áreas abandonadas para o cultivo de hortas e jardins, que foi morar na Alemanha no início dos anos 1970 e que se estabeleceu em Berlim, no bairro Kreuzberg no inicio dos anos 1980, quando em 1983, ocupou um terreno abandonado que era usado como deposito de lixo com uma horta urbana. E a da horta urbana Prinzessinnengarten, no mesmo bairro de Kreuzberg, feita com a iniciativa dos amigos Robert Shaw e Marco Clausen em 2009, quando mobilizaram um grupo de aproximadamente 150 voluntários para limpar e ocupar um terreno, de propriedade do estado, abandonado a mais de cinco anos e que vinha sendo usado como depósito de entulhos.

A horta de Kalin apesar de ser uma horta particular, gerou bastante polêmica. Por se tratar de um terreno que oficialmente pertencia a Berlin Oriental, mas que estava no lado ocidental do muro, os oficiais tanto do lado ocidental como do lado oriental manifestavam enorme desconfiança com o que o imigrante estava fazendo ali. Após a queda do muro, Osman Kalin ampliou o terreno de sua horta e começou a construir uma casa com materiais reciclados, local onde mora atualmente.

A horta urbana Prinzessinnengarten, que fica a uma curta distância de 1Km da casa de Kalin, é um importante espaço de socialização e cultura que recebe cerca de 50 mil visitantes por ano. Os produtos colhidos lá são vendidos a preços acessíveis no próprio local. A horta também abriga e abastece um restaurante que prepara diversos pratos com os alimentos produzidos.

Longe de Berlim e bem pertinho de nós, em São Paulo, existe também uma diversidade de espaços ocupados com hortas urbanas. A horta das Corujas é um exemplo de horta urbana na cidade São Paulo. Situada na Praça das Corujas, no bairro Alto de Pinheiros, a horta ocupa um terreno de 800m² e sua manutenção conta com a participação de 20 colaboradores ativos e mais de 50 voluntários que cuidam da horta.

A mobilização para a criação da horta das corujas teve início em julho de 2012 a partir de uma convocação via Facebook para a primeira reunião sobre a construção da horta. No sitewww.hortadascorujas.wordpress.com estão disponíveis todas as informações sobre a horta, como história, regras de convivência, agenda de atividades, além de noticias sobre outras hortas urbanas.

Na Avenida Paulista próximo ao cruzamento com a Consolação, uma pequena horta também foi feita no início de outubro de 2012 na Praça do Ciclista. A horta da Praça do Ciclista começou com um mutirão de limpeza do local organizado por um grupo de ciclistas e outros interessados e hoje é possível ver crescendo na terra milho, alface, maracujá e outros vegetais. Porém, cabe ressaltar aqui, que a Praça do Ciclista fica numa avenida de intenso fluxo de automóveis e que os vegetais ali cultivados tem enorme chances de estarem contaminados pela fuligem dos automóveis além da possibilidade de contaminação do solo devido ao fenômeno da chuva ácida que pode acontecer na natureza urbana.

Apesar de não ser adequado o consumo de certos alimentos cultivados ali na horta da Praça do Ciclista por causa da poluição urbana, as ações intervenções realizadas por esse grupo de pessoas é de suma importância para a repercussão de diálogos que gerem reflexões sobre a utilização sustentável de certos espaços urbanos.

As hortas e jardins urbanos promovem o contato entre pessoas, geram diálogos, troca de ideias, propiciam o contato do ser humano com práticas culturais lendárias, além de preservar a utilização dos espaços públicos pelos cidadãos e introduzir diversidade de espécies vegetais no ambiente urbano.

Natureza Urbana volta semana que vem. Dúvidas, críticas e sugestões podem ser enviadas paramaite.biologia@gmail.com. Até logo.

 

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