Aplicação do desenho ambiental para a bacia do córrego das Corujas: potencialidades e limitações na implantação de um parque linear

Eduardo Mendes de Oliveira, Mariana Corrêa, Soares e Ramon Stock Bonzi. Aplicação do desenho ambiental para a bacia do córrego das Corujas: potencialidades e limitações na implantação de um parque linearRevista LABVERDE, nº 04 | São Paulo, Junho de 2012, p. 31.

INTRODUÇÃO

A questão ambiental tem conseguido ganhar espaço na cidade de São Paulo, graças à pressão da população e da sociedade civil organizada, resultando em um nítido movimento de valorização do verde.

No entanto, ainda parece prevalecer a ideia da cidade dissociada da natureza, um equívoco como nos ensinam autores como Spirn (1995), Hough (1998) e McHarg (2000). Fruto do processo histórico de “ruptura progressiva entre o homem e o entorno” (Santos, 1994, p. 05), a dicotomia homem/natureza revela-se com muita clareza na relação que nós, habitantes de São Paulo, estabelecemos com os nossos rios. Como afirma Bartalini, “o poder público tem uma tradição de desprezo aos rios, canalizando-os e ocupando as áreas de várzea” (2009). Já a população comumente associa os corpos d’água a aspectos negativos como esgoto e inundações (2006).

Estas concepções de mundo penetraram também a esfera tecnocientífica, como pode ser observado no pouco valor que as práticas projetuais e de planeamento urbano costumam conferir aos suportes físicos dos territórios.

As consequências são evidentes: a pequena importância conferida à topografia, hidrografia, geologia e vegetação durante a ocupação do território está fortemente ligada a problemas atuais como inundações, deslizamentos, ilhas de calor, baixa umidade do ar, altos níveis de ozônio e poluição atmosférica, entre outros.

Ademais, neste cenário de “emergência socioambiental” (Veiga, 2007, p. 10), o setor de construção civil tem sido cada vez mais recriminado por sua baixa eficiência energética, consumo exacerbado de recursos naturais e alta emissão de CO . Entendemos que é questão de tempo para que os ambientes construídos, e não mais os combustíveis fósseis, sejam considerados os grandes vilões do meio ambiente1.

É neste complexo contexto que o Desenho Ambiental e a Infraestrutura Verde sinalizam com ideias e conceitos que, ao reconhecer as potencialidades e as limitações colocadas pelas bases físicas dos territórios, são capazes de conectar pessoas, espaços livres e a(s) natureza(s) nas cidades, ajudando assim na construção de uma sociedade mais “sustentável”.

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