Colheita da cidadania

1 Papo Reto, 14/05/2014, por Rosenildo Ferreira

Áreas urbanas abandonadas, praças e até pequenos espaços em calçadas podem servir para criação de hortas, onde brotam alimentos e também cidadania. Essa é a dica de Claudia Visoni

Dizem que os homens, e também as mulheres, são o resultado de suas circunstâncias. A paulistana Claudia Visoni, 48 anos, contudo, criou suas próprias circunstâncias ao dar uma guinada na carreira e em seu estilo de vida. Dona de uma trajetória consolidada no jornalismo, ela se reinventou em 2008 ao decidir adotar uma alimentação mais saudável e entender melhor o que eram os tais produtos orgânicos. Em 2011, Claudia ajudou a fundar o grupo Hortelões Urbanos, no Facebook, que reúne hoje quase nove mil pessoas que valorizam este tipo de produtos e que também gostam de pôr a mão na terra. Literalmente.

Hortelão é aquele que cuida da horta e uma delas, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, se tornou referência. Não apenas no bairro, como também na cidade e no Brasil. A múltiplas reportagens em jornais, revistas e emissoras de televisão feitas sobre o projeto deixam isso bastante claro.

A iniciativa também inclui uma horta na avenida Paulista, um dos mais famosos cartões-postais da cidade, outra no bairro da Pompéia, também na zona oeste, e a terceira na Vila Madalena.

Em entrevista a 1 Papo Reto, Claudia fala dessa trajetória de agricultura urbana e conta os benefícios de investir tempo e recursos nesse tipo de projeto. Afinal, já pensou se os espaços degradados, os terrenos baldios e as praças abandonadas se convertessem em áreas de lazer e ainda rendessem alimentos saudáveis? Nada mau, não é?

Quais foram os principais desafios, digamos, práticos, para colocar de pé esta horta comunitária?

Claudia Visoni na Horta das Corujas, na Vila Madalena (SP)

O processo foi bastante participativo e conseguimos que a subprefeitura (de Pinheiros) aceitasse receber a Horta das Corujas na Praça das Corujas. Como ainda não existe legislação a esse respeito, trata-se de um acordo informal (A história da criação da horta está contada nesse vídeo). Atualmente o principal desafio é engajar voluntários. Não existe uma cultura de trabalho voluntário em prol do bem comum em nosso país. E uma horta demanda cuidados frequentes. Existem muitos voluntários eventuais, mas poucos que se dispõem a doar algumas horas todas as semanas para cultivar um canteiro.

O que é mais gratificante para você neste trabalho: a possibilidade de levar uma vida mais saudável ou a experiência de mexer na terra e ver o ciclo completo dos alimentos que você e sua família consomem?
A agricultura urbana mudou minha vida, minha relação com a natureza, com a cidade e com os alimentos. Sou apaixonada por essa atividade por todas as razões que você colocou e, mais especificamente, pela possibilidade de entrar em contato com outras pessoas. Em torno de cada horta surge uma comunidade protetora, um grupo que tem como vínculo o desejo de cuidar daquele espaço. Falo sobre essa experiência maravilhosa nesse post.

A Horta das Corujas é um marco nesta campanha. O terreno foi ocupado na marra pela comunidade ou foi doado? Os produtos cultivados ali podem ser consumidos livremente?
Qualquer pessoa pode colher hortaliças na Horta das Corujas. Só pedimos que tomem cuidado para não danificar as plantas e que levem pouca quantidade, assim outras pessoas também podem viver essa experiência. O terreno é da prefeitura, não foi doado e nem está sendo ocupado por um grupo. Apenas resolvemos cultivar alimentos ali, o que, embora ainda não seja regulamentado pelas leis do município, não é proibido. A horta fica aberta o tempo todo e qualquer pessoa pode frequentar. Existe uma cerca baixa com portão sem tranca apenas para os cachorros não entrarem.

O que você recomendaria a uma pessoa que pretende levar uma vida mais natural, se engajar em causas deste tipo,  começando o trabalho com uma hortinha no quintal de casa?

Horta na avenida Paulista (SP)

Acho que a reconexão com a terra é importantíssima não só para nos sensibilizarmos e começar a cuidar melhor dos recursos naturais como também para melhorar a saúde física e mental. Mas o caminho cada um escolhe, de acordo com seus desejos, possibilidades e preferências. Se houver vontade de começar uma horta em casa, seguem algumas dicas (aqui).

Você tem notícias do impacto desta mobilização em torno de hortas urbanas, aqui em São Paulo e em outras cidades?

A Horta das Corujas foi a primeira horta comunitária em praça de São Paulo. Inspirou o surgimento de várias outras. E o movimento tem atraído atenção da mídia.

 

Nota do Autor: para saber mais sobre este tipo de atividade, clique em um dos links abaixo e boa colheita!

Dois projetos de agricultura urbana

Alimentos fresquinhos

Plantando relacionamentos

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