Engenheiro ambiental estuda presença de metais pesados em hortas urbanas

Folha de São Paulo, 21/09/2014, por Marcos Dávila

Após terminar sua iniciação científica na Faculdade de Medicina da USP, o engenheiro ambiental Luís Fernando Amato-Lourenço, 32, conheceu a horta comunitária no campus da Doutor Arnaldo.

Depois de trabalhar como voluntário nos canteiros, decidiu fazer sua tese de doutorado sobre a concentração de metais provenientes de deposições atmosféricas em hortaliças cultivadas em São Paulo, com orientação dos professores Paulo Saldiva e Thais Mauad.

A ideia do estudo não é coibir a prática das hortas urbanas, mas criar parâmetros para o aprimoramento delas. O pesquisador acredita que a recente popularização desse tipo de cultura traz benefícios como o incentivo à alimentação saudável, o combate ao sedentarismo e a redução do estresse.

Thays Bittar/Folhapress
Luís Fernando, engenheiro ambiental que pesquisa incidência de metais pesados em hortas urbanas
Luís Fernando, engenheiro ambiental que pesquisa incidência de metais pesados em hortas urbanas

sãopaulo – Qual é o foco da sua pesquisa?
Luís Fernando Amato-Lourenço – Todo mundo sempre tem dúvidas sobre a influência do ambiente urbano nas hortaliças. É saudável? É seguro? A água e o solo podem ser manejados. O ar, não. Os materiais particulados depositam na superfície das hortaliças, e elas absorvem metais como cádmio e arsênio, liberados principalmente de veículos motorizados. Estamos analisando dez hortas na cidade em comparação com uma em Piracaia [88 km de SP], que tem o ar mais limpo.

Há metais pesados nas hortaliças?
Ter a gente sabe que tem. Um estudo feito em 2013 na Alemanha mostrou que existe uma relação com a proximidade das vias. Em regiões nas quais circulam mais caminhões há mais incidência de metais pesados por causa do diesel. Prédios e árvores podem servir de barreira.

Esse tipo de contaminação é pior do que o uso de agrotóxicos?
Existem defensivos agrícolas com metais na composição, mas estão dentro do limite permitido pela Anvisa. Queremos checar esse nível nas hortas urbanas. Em dezembro saem os primeiros resultados.

Você come o que é produzido na horta comunitária?
Sim, comemos normalmente o que é produzido. Apesar da nossa preocupação com os metais que possam estar absorvidos, acreditamos que a popularização da horticultura comunitária em centros urbanos gera benefícios.

Que benefícios são esses?
Redução da destinação de resíduos orgânicos a aterros sanitários, criação de refúgios para a microfauna, preservação da biodiversidade vegetal e esfriamento de zonas de calor geradas por áreas concretadas.

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